Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Revivo, reviro, renasço, recorte.

Vira, desvira, sangra o corte.

Vento sul, vento norte.

Passam por aqui.

E eu, a morte, sem destino.

 

Elegi você

Para ídola, musa, mulher, desejo, loucura.

(amor é desrazão)

Colei teu retrato na parede

Brancura na imensidão.

(Ventura da solidão)

 

Te observo, te cerco

Na minha boca dorme o seu nome.

Gana, tesão, necessidade, fome!

É meu manifesto.

 

Cada palavra que cai no papel

Ao se juntar e girar

Constrói minha torre de Babel.

Infinito particular aonde eu me tranco.

O meu canto.

 

Mas lá vem você, etérea

Invadindo o meu mundo

O choque do seu cheio de donzela

Esbarrando com meu odor imundo.

Que bom que você veio!

Te busquei em sonhos!

Te construí castelos!

Sei desde já, que você vai embora.

(sempre vão, aprendi)

(não me ensinaram, mas aprendi.)

 

Mais: Cansei de esconder o coração.

Se ele pulsa – que pulse!

Repulsa. Que pulse!

Que seja pela dor do desejo vão.

(“viver é desejar,desejar é sofrer”)

 

Eu desejo você.

Sua carne, seu pensamento, seu desejo.

Tudo meu. Tudo mesmo.

Minha virgem blasé.

O rosa claro da minha amplitude cinza.

 

Você se cansa.

Fecha a porta e vai embora.

Hora. Demora. E agora?

Não choro. Sabia que seria assim.

A minha vida é sempre o fim.

 

Você foi

Mas já ficou.

Me deu cicatrizes, novas feridas

Abertas, com moscas e sangue, umidecidas.

Não serão esquecidas.

(Nunca!)

 

A culpa é minha.

Deixei você entrar e sair

Da minha vida, do meu lar.

Você, mocinha.

Parta-te daqui

(Não, não só de fora, mas de dentro de mim)

Você é a coisa mais fútil que já vi.

(Foge! Foge do amor, da dor, da vida! Vai, covarde)

(Vai viver o seu efêmero e breve, vai.)

 

 

 

 


música More than words - Extreme

publicado por Juliana Correia às 15:46 | link do post | favorito

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