Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Daqui a cem anos ainda existirá o lugar geográfico que hoje é o nosso bairro, aonde fica o nosso prédio hoje, talvez a rua continue no mesmo lugar, as pedrinhas, o passeio. Talvez algum professor/pesquisador de história/antropologia venha a se debruçar sobre a história desse lugar, sobre o eixo etnográfico ou o histórico e sobre os grandes fatos que se sucederam ali - um grande presidente que tenha nascido nessa rua, uma grande revolução que tenha se dado ali, etc.

Mas - deixemos as ilusões do fato de sermos 'humanos' e nos acharmos no direito de nos sentirmos especiais demais por isso - porque, daqui a cem anos, no meio dos restos da história que sobrarão, nós não sobraremos. (Acho que essa é a parte mais triste de "morrer" - perder o fio da meada, a história, as coisas que acontecerão sem nós...)

Não sobrará nenhum rastro das lágrimas que choramos na cama do nosso quarto, das desilusões que tivemos com o amor, com a política, com o vestibular, do nosso primeiro beijo no banco do prédio ou na escada de serviço, das festas que fazíamos na piscina ou das letras que escrevíamos no asfalto da rua para nos declarar. Não se lembrarão do dia que nos casamos, não se lembrarão do dia que nossos pais faleceram, dos nossos sorrisos, lágrimas, ilusões, pretensões, alucinações... Nós já teremos esvaido como poeira por debaixo da terra; nossa trajetória já não terá platéia e também se diluirá no ar. Nosso nome não será mais dito, porque já não seremos mais lembrados, o mundo vai continuar a correr e nós não saberemos em que sentido. Seremos esquecidos e ignorados.

 

 

Mas é sempre tempo de pensar no que fazer com o tempo presente.



publicado por Juliana Correia às 21:10 | link do post | favorito

De xu a 18 de Outubro de 2008 às 14:55
quase chorei com esse post... sério.


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