Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

quando você chega, quase me fazendo reverência

eu pareço qualquer coisa sem referência

bibliografia, história-geografia, retórica e eloquência

(sem rumo, parecendo natural, me mirando na irreverência)

você e a sua doçura, havaianas na areia, eu de vestido de chita, total impaciência

as bicicletas passando, na praia, do samba uma cadência

 

eu canso de esperar por você - estico o braço, pego na tua mão

você parece assustado, me olha nos olhos - com teu corpo, teus poros - com atenção

eu sorrio olhando pro céu - que céu, que mar, que lindo tudo, isso, a gente, seu olhar

que me olha, olha, olha, não para de me fitar [encarar, escancarar, desabrochar]

como se eu pudesse fazer sentido, como se eu fosse tangível, como se desse pra explicar

e quando eu olho nos teus olhos, e me olho nestes mesmos olhos, meu Deus, o que falar?

parece que canta, que dança, balança, encanta, me janta... e eu nem saí do lugar!

 

uma cena tão trivial, gente sentada na areia num fim de tarde

e dentro de mim tanta coisa, tanta inconsistência, impossibilidade - um alarde (!)

dentro de você? não sei. talvez desejo, talvez o medo, talvez carinho - como vou saber?

me conta tua vida, tua história, teu caminho, fala sem parar de você

essa tua voz vai me conduzindo, vou me virando, eu só quero te encontrar e me perder

a sua voz de música eu silencio - te beijo devagar

a areia, o céu, a praia, as pessoas, as ondas... tudo parece moldura a nos enquadrar.

 

 

 

 

 

 

 


música Chico Buarque - Ela faz cinema

publicado por Juliana Correia às 19:05 | link do post | favorito

De Edmundo a 8 de Setembro de 2008 às 22:47
Muito bom mesmo ju , talento inegável .


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