Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Salvador, 20/11/2002

Cara Ana,

É com sincero pesar que venho lhe dizer que eu sei de tudo. Que eu sempre soube, desde que você nasceu. Sim, eu sabia que seu pai ia falecer quando você fizesse quinze anos. Eu sabia que você não ia passar de primeira no vestibular. Desculpe não ter te avisado, eu não podia. E sim, eu tinha plena consciência que você estaria em frangalhos agora. Bem agora. Eu sempre soube, desde que ele chegou, que ele ia embora daquele jeito calhorda. Daquele jeito que você nunca esperou. Sei que agora os dias parecem tristes, frios e sem cor. Sei também que você anda se escondendo do mundo. Trocou as batinhas decotadas e alegres pelas camisetas, num misto de penitência e vergonha, como se doesse achar quem lhe admire- e saber que não é ele. Vi também as noites que você passou em claro, chorando, vomitando, se torturando, se culpando, se perguntando porque, como, aonde você errou. Posso garantir que enquanto você fazia isso, ele dançava e cantava nos ensaios de verão – acompanhado. Eu sabia que tudo seria assim. E nem assim tentei lhe impedir. Você precisava viver isso, viver um amor, viver a dor de perder um amor. Fui eu que escrevi assim. Mas tenha paciência, sabe Ana? Hoje os dias são escuros e você não tem fé ou vontade de levantar da cama, mas eu vejo (literalmente) o amanhã e sei que vai ser melhor. Lembre das dores e perdas pelas quais você já passou. Teve aquele cachorro quando você tinha cinco anos, teve aquela amiga que te roubou um namorado na sétima série, teve a partida do seu pai e a perda do vestibular. Você sabe que é mais forte. Mais forte que ele, que esconde os sentimentos atrás de uma máscara de força. Siga em frente, você tem amigas, família, valores. Aqui entre nós, ele nem era tudo isso. Você vai conseguir coisa melhor. Abra os olhos. Eu sei. Você merece. Não esqueça de aprender com os erros, para não repeti-los. Não deixe de ser humilde e verdadeira – nunca se traia, é sempre a pior traição. O sol vai brilhar e você vai ver, em qualquer esquina dessas você reencontra a felicidade! Eu sei.

 Atenciosamente,

 (seu) Destino.



publicado por Juliana Correia às 16:19 | link do post | comentar | favorito

4 comentários:
De Vinicius a 19 de Março de 2007 às 18:33
vai ficar batido eu chegar aqui a cada novo conto e dizer que ele tá bom. Se você pensa que eu estou mentindo, eu não estou. Você tem mesmo o jeito, parece que as palavras fluem quando voce está fazendo o conto e acaba em algo como isso. Sem palavras. Beijo =*


De Mila a 19 de Março de 2007 às 18:52
Nossa,essa minha colega escreve demais!
Já pensou se nossos destinos resolvem nos mandar uma carta dessas?Caraca,que show.Porém a vida ficaria meio sem graça,tudo aqui tem um sentido.

Um beijo Ju.


De Duh a 19 de Março de 2007 às 19:04
Jah disse...
PERFEITOOOSSSS, TODOS ELES!!!

te adoro mto juju!!!
beijooo


De larissa a 19 de Março de 2007 às 21:46
falar oq? se todas as palavras q pudessem descrever você tomou pra si? Se a melhor forma de comentá-lo é reler?

te adoro mto viu?! mto, mto, mto...

bjo minha mais linda das lindas! =]


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