Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Chega uma hora que você pensa "pois é, que merda, cresci". É a hora que você se depara com a realidade crua de que o mundo não é aquela brincadeira de barbie que costumava ser, que o "Ken" não vai falar as coisas que você quer ouvir, não existe príncipe encantado e nem "felizes para sempre".

É aí que você percebe que você cresceu e vai ter que dar conta da vida lá fora e na vida lá fora, o príncipe bate o baba quando você tá de tpm e precisando de colo, ignora completamente suas declarações ou nunca te liga. É aquela hora que a gente percebe que buquês de flores e amores perfeitos, só na novela - aqui, no mundo da gente, é ralação pra amar, ralação pra fazer durar e uma ralação enorme com a coisa chamada "convivência". As barbies não estão sempre loiras e lindas, e ás vezes choram escondidas porque não conseguem segurar as dúvidas. Não crescemos vendo nos filmes homens românticos, fiéis, apaixonados, declarativos? Não é isso que vemos nas nossas esquinas - e aí, o que fazer? Ninguém nos disse que seria assim!

Mesmo quando damos a sorte de achar um príncipe menos ogro do que os outros, e a sorte maior dele retribuir nosso sentimento e a sorte ainda maior de ele nos assumir como "sua mulher"...aí, achamos que seremos enfim, "felizes para sempre". Ledo engano. Qual o casal apaixonado que não briga? Que não se desentende? Que não se separa? Que não chora? Que não discorda? Só se feliz pra sempre for o construir da relação, porque a relação em si nunca vai ser plenamente e integralmente feliz - e acho que por isso os créditos subiam logo após o "felizes para sempre" - essa felicidade que eles vendiam, era tão inverossímel que nem tinha como ser contada...

É, é dureza perceber que não dançaremos com nossos vestidos de Cinderela, que usavamos quando éramos mais novas, não passearemos nos cavalos brancos pelas florestas e não teremos quem nos defenda com todas as forças das dores do mundo.

Pra ser princesa moderna tem que saber se virar sozinha, trocar pneu em noite de chuva, segurar a carência no dia do choppe com os amigos, chorar sozinha e escondida pra não demonstrar fragilidade e discutir a relação com o travesseiro, para não desgastar.

 

 

Mas sabe que, ainda assim, eu queria tentar esse "felizes para sempre" ; não o banalizado - mas sim esse construído? De ir pisando e vendo a relação, e moldando e cercando dentro das possibilidades, e elaborando e caminhando e fazendo o caminho..mesmo "que não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure."

 

Ps. Meu príncipe deve tá vindo de jegue e com um buquê de cansanção na mão...mas, alguma hora ele chega e se declara né? Eu mereço!


música Do it - Lenine

publicado por Juliana Correia às 06:12 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Saia da fossa

Puxe a carroça

Fuja depressa

Desprenda-se do que não interessa

Navegue pelo mar

Não deixe lhe faltar o ar

Ignore a dor de cotovelo

Não faça com as mágoas um novelo

Não desista de amar, não desista de sorrir

Esqueça o dom de iludir

Vá a praia, mergulhe, não pare

Coma mais chocolate, se declare

dance mal, dance mais

pegue a onda, viva em paz

Não engula tanto sapo

passe mais horas batendo papo

Seja mais liberal

trate de igual pra igual

Não esconda o sentimento

Absorva o bom momento

Respeito o seu medo mais profundo

relaxa - todo buraco tem fundo

Seja fiel aos seus príncipios

Não faça das lágrimas, precipícios

Dê vazão aos desejos malucos

Sorria para um caduco

Tente não se preocupar

O tempo não vai te tirar pra dançar

gema, sussure, arranhe, ame (!)

seja diva de cinema, urre, não se acanhe, ame (!)

faça uma novena, esmurre, apanhe, ame (!)

Faça e refaça, admita e reflita, toque fogo e veja a fumaça

ame muito, até ficar exausta...depois isso passa.

 



publicado por Juliana Correia às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

É bem bom gostar bastante da gente

a ponto de podermos ir com a gente mesmo ao cinema, tomar um choppe

passar a tarde com um livro, ou no colo de um amigo querido.

É bom a gente saber o quanto a gente vale

pra não aceitar que achem que a gente vale menos, pra sorrir mais

quando nos dão o valor que merecemos

É bom ter amigas pra contar em todas as horas

e primos que contam histórias

e companheiros de choppes e confissões.

É bom ter colo e compreensão de mãe

ter teimosia pra fazer burrices que precisam ser feitas

ter orgulho pra saber se ferir, caso necessário

É bom se compreender pra poder fazer o julgamento

mesmo que não o mais correto, mas o sempre atento

na dualidade da razão com a emoção

É bom ouvir que estou mais doce, mas não perdi o charme do sarcasmo e da brabeza -

e é bom saber que eles já são pecualires e meus chamarizes

que até o gênio beirando o impossível é atrativo.

É bom saber que eu quero me apaixonar e ser capaz das grandes entregas

mas que eu não consigo ser burra e nem me sentir desvalorizada

é bom achar que eu sou capaz de tudo até aonde der

mas que me prometo saber recuar, quando necessário se fizer.

É bom ter dias de sol, dormir até tarde, dar risada

matar as saudades, ouvir palavras de amor, estar acompanhada

É bom conseguir deixar a auto-estima lá em cima

vivendo uma boa fase neste sentido, é bom não ter que fazer sentido

e chorar rindo das minhas idéias mais abestalhadas.

É bom cultivar quem eu amo, e ter a certeza de que fiz tudo que podia

é bom ir dormir cansada e acordar tranquila

porque a sensação de dever cumprido vem junto com o novo dia.

 



publicado por Juliana Correia às 03:16 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

" - Mas é um absurdo você estar chorando assim, por isso!

- Mãe, seja razóavel. Estamos falando de sentimentos, não de realidade. Não existe absurdo no que se sente.

- E também não existe absurdo em chorar sem motivo.

- Mãe, nada que alguém possa fazer é sem motivo...

- Ele disse que ia embora? Ele disse que gostava mais dela do que de você? Ele disse que tinha outra? Ele disse que já não sentia a mesma coisa quando te via, quando te tocava, quando pensava em você, na vida dele com e sem você, quando te beijava? Ele disse algo?

- Não mãe...

- Então é sem motivo!

- Já lhe ocorreu que o não dito pode doer tanto quanto o dito? Já lhe ocorreu que eu o conheço o suficiente para interpretar silêncios ou respostas evasivas? Já lhe ocorreu que em questão de sentimento, nada é tudo e se aflora na pele, a gente se arrepia por nada e chora porque está mesmo transbordando emoção? E emoções mal-resolvidas, porque emoção apaixonada não anda sozinha, dá um passo logo pensando e esperando ansiosamente pela companhia da perna do objeto de desejo. Não saber pode doer tanto quando saber.

- Isso é loucura. Se ele tivesse outra - terminaria com você ou lhe diria. Se ele não gostasse mais de você, terminaria e lhe diria. Se pra ele não tivesse mais a mesma graça, será que ele não demonstraria? As vezes eu acho que você gosta de sofrer, Amália...

- Sentimento é que nem flor mãe, tem pétala macia e espinho. Tem altos e baixos, compreender isso pode ser maduro, mas nem sempre é mão na roda. As vezes a fase é difícil, a distância se instala, as brigas ganham forma e constância e ainda assim ninguém vai embora - porque, romanticamente, ninguém quer ir embora - isso não significa que esteja bom, nem que vá ser permanente a vígilia em torno da relação. Isso, também é caminhar sobre a dúvida. Eu sinto que pra ele estamos desbotando como foto velha, e não é pelo que ele diz, é pelo que ele dizia e já não diz. É sutil mãe. Sentimentos são sutis, não fazem sentido, quantas vezes eu quis ele muito perto e pedi pra que ele fosse embora e não voltasse nunca? Quando eu mais quero beijá-lo, espero pacientemente que ele me beije, porque tenho medo de que ele não deseje aquele beijo tanto quanto eu. Quantas vezes eu pensei em coisas que eu não deveria pensar e fiquei sozinha matutanto pensamentos otimistas que cortassem a onda? Não posso ligar pra ele de cinco em cinco minutos, sentimento não se discute, vai se vivendo até aonde der, até aonde for...

- E porque esse filme triste na tv, esses livros teóricos na estante, esse choro?

- Porque? Ahh....porque não saber também dói, não é? Não saber se o cheiro que está na minha roupa também ficou na dele, se as preocupações e medos que eu tenho também não o atingem, se a minha frieza e dúvida corrompe a certeza dele.. É esse não saber mesmo que eu não sei me entregar mãe; e a vida é feita de não-saber, mesmo que ele me pedisse em casamento - e isso aparentemente expressaria que ele gosta de mim e quer compartilhar uma vida - eu ainda saberia ter dúvidas. Isso não é um problema dele, é uma questão minha, eu preciso controlar aos poucos os receios - porque as coisas só são sólidas na base da confiança e da credulidade. Por isso o choro, porque eu sei tudo isso, mas não sei espantar esse pensamento de que me ver talvez já não tenha feito-o sorrir tanto quanto já soube fazer...

- Me deixa te fazer um bolo de laranja, te fazer um cafuné? Ele parece um bom rapaz, eu gosto tanto de te ver repensando essa amargura besta, abrindo os olhos pra o mundo de um outro jeito, me perguntando se você tem razão em ficar chateada ao invés de tomar seus sentimentos como centro do mundo... Não perca isso pelo medo, ter medo de viver as coisas e ser feliz é a melhor forma de evitar a felicidade...

- Eu sei mãe. Juro que tô tentando.

- Liga pra a terapia, marca um horário a mais...não sei como cabe tanto pensamento que você guarda nessa cabeça, e tem uns que nem fazem sentido... Pra mim, se tá junto gosta e você tem que confiar - quando não gostar mais, separa. Essa coisa de vocês tem muita entrega pra ser absolutamente a toa, vocês são jovens...não deve ser a coisa mais séria do mundo, mas ninguém se envolve por diversão..envolvimento traz consequências, sabe? E você sabe, e eu espero que ele saiba...Mas, certamente o filosofo suiço do Amor Líquido não vai te responder o que você quer, não vai te ligar dizendo que sente saudade e nem que apesar da dificuldade de expressar isso, sente muitas coisas com/por você...

- Obrigada mãe. Você é a melhor. Eu aceito o colo."



publicado por Juliana Correia às 21:53 | link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Hoje o "Conversa de Botas Batidas" faz um ano. É como um filho mesmo, desses que trazem arraigados tanto de mim, e principalmente o tanto de mim que eu mais renego, as coisas que eu não digo aos outros e acabo engolindo - todas elas, todos os meus "nãos" ou os meus silêncios absurdos (ou não, afinal, quem quer parecer absolutamente insano e descontrolado?) se esvaziam aqui, nesse espacinho. Por essa razão, já pensei em deletar esse blog diversas vezes, é muita exposição, e é uma exposição ao avesso. É a exposição do que mais renego - em mim, nos outros, nas relações, na vida. Não diria que é um espaço triste, porque escrever para mim é alívio e prazeres absurdos, mas não chega a ser feliz, porque não existe nos meus textos essa alegria, é sempre um pouco do olhar melancólico sobre a sensibilidade de coisas que as vezes são existencialmente insensíveis e só.

Nesse um ano, já vivenciei por aqui a experiência de duas faculdades, que trouxeram diferentes conhecimentos,diferentes pessoas, diferentes visões de mundo e acréscimos a minha maneira de ler e escrever o mundo, já compartilhei alguns êxtases de paixão, ainda mais fracassos do amor e simples pensamentos sobre coisas (in)úteis que acontecem por aí.

Não sei o que o futuro reserva para este blog, mas em virtude deste um ano dele no ar, quero agradecer aos que me deram palavras de esforço no sentido de prosseguir escrevendo, aos que me propuseram parcerias, aos que me conheceram através deste espaço, os que juraram se identificar e elogiaram, os que detestaram e criticaram, os que acompanharam esses 118 posts e fizeram esses 411 comentários até agora. Obrigada, o blog é literário por causa de vocês, que vem acrescentando - senão seria apenas mais um diário lírico e virtual.

 

 

 

A vida a gente constrói, por caminhos indecifráveis

dias que a gente crê, dias que a gente chora

em nós resignam-se os sentimentos impalpáveis

são eles que nesse blog eu coloco pra fora.



publicado por Juliana Correia às 18:39 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Arrependimento é você não fazer algo achando que vai ser melhor, e depois se sentir bastante idiota por não ter feito.


publicado por Juliana Correia às 18:39 | link do post | comentar | favorito

Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Minhas librianas - por Eduardo Loureiro Jr.

 

"Sei que o título é pretencioso — MINHAS mulheres de Libra —, afinal quem sou eu para ter alguma mulher, ainda mais mulheres de Libra, que normalmente são graciosas e lindas além da conta... E acima de tudo sensíveis e independentes. Uma mulher de Libra, lendo essa palavra, MINHAS, não só se sentiria ofendida como me enviaria, mentalmente, desprezo suficiente para eu sofrer pelo resto de minha vida.
Se escrevo esta crônica nesse momento, é porque as mulheres de Libra não estão lendo. Tenho certeza disso porque as librianas todas estão envolvidas com seus aniversários, dando conta de preparativos e convidados para as suas festas de aniversário, e sendo felizes na companhia de seus amigos ao invés de lendo crônicas num site de internet. As librianas — não sem razão — estão muito ocupadas no final de setembro, início de outubro, e posso chamar de minhas pelo menos algumas delas, já que elas nem saberão disso. Os amigos da librianas, aqueles que poderiam fofocar sobre a minha pretensão, também estão preparando festas-surpresa para as aniversariantes.
Minhas librianas foram apenas três. E se digo "apenas" não é para humilhar os demais homens, que talvez não tenham tido a honra de ter uma libriana sequer. Para falar a verdade, das minhas três librianas, eu tive apenas uma. Librianas são difíceis de conseguir, porque há sempre cinco ou seis homens na fila. São aquelas mulheres de quem um homem pensa: Como posso morrer sem tê-la beijado uma vez sequer? E, tendo-a beijado, como morrer sem estar ao lado dela, feliz até o fim?
Quem já teve uma libriana e não tem mais — meu caso — é porque não sabe o que é bom. Ou então porque teve uma libriana quando ainda era muito novo — minha desculpa —, e não sabia o tesouro que tinha ao alcance das mãos e dos lábios.
Quem conversa com uma libriana tem a sensação de que está conversando com uma das pessoas mais inteligentes do mundo; e, quando acaba a conversa, tem a certeza de que está tocando, beijando, transando com a mulher mais potente e amorosa do mundo.
Das minhas librianas que não tive, uma tinha o poder de se transformar numa imagem de Nossa Senhora com Menino Jesus no colo, e de transformar a mim num monge contemplativo. A outra me fazia crer que eu a fazia subir pelas paredes, quando ela é que girava meu mundo e transformava teto em chão.
De vez em quando, vejo as minhas librianas que eu nunca tive por aí, ao lado de outros homens felizardos. Já passei da fase da inveja, já não considero mais tais homens pouco merecedores de uma libriana. As librianas também têm o dom de tornar os seus homens melhores, a ponto de eles se tornarem merecedores do amor delas.
Minha única libriana que tive um dia, só a vi uma vez depois de tê-la perdido, casualmente, num shopping. De vez em quando — agora, por exemplo —, paro e penso que aquela pode ter sido a última vez que a vi. E o que eu disse? Um boa-noite, um como vai?
Como posso morrer tendo dito tão pouco? A última coisa que se deve dizer a uma libriana é "eu te amo, sempre te amei, e sempre te amarei".
E se ela disser "eu também", não haverá mais crônicas a serem escritas no final de setembro, início de outubro. A vida com uma libriana deixa pouco tempo para a literatura."


música Los Hermanos - Todo carnaval tem seu fim

publicado por Juliana Correia às 18:52 | link do post | comentar | ver comentários (20) | favorito

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