Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Caro amor encerrado,                                               data/ local

 

Seria muita insensibilidade da minha parte ir embora assim, sem lhe dizer algumas palavras de despedida, sem explicações ou agradecimentos, sem mesuras ou sem a mínima cerimônia. Não vou mentir: é um alívio encerrar você, te colocar para fora, extirpar tudo - menos a experiência, que é o peso que é inerente a carregar, que é o explicíto que se faz visto em todo gesto, em toda palavra, que é o que ficou mesmo até de quem não ficou - tudo que veio de você.

Não sou injusta, portanto admito e agradeço até, os momentos bonitos, os momentos felizes e os aprendizados que você trocou comigo, sejam por que você quis me ensinar ou, veja bem, porque você no seu imenso egoísmo me machucou de maneira que eu aprendi a me defender. Querendo ou não, você me transformou - mas não se dê ao direito de ficar presunçoso por isso, no fim das contas foi mais pela dor do que pelo amor em si. Foi mais sem querer, do que querendo. Mas isso já não importa, não é?

Quero que você saiba que sim, me arrependo de muitas coisas, tenho vergonha de tantas outras e que se fosse possível, faria tudo diferente - não por você, mas por mim. Aliás, aprendi com você a pensar em mim primeiro. Essa carta não é para te machucar. Machucar alguém é coisa de quem se aliena, de quem não conhece o poder verdadeiro da palavra amor, que não tem noção do humanismo da condição de existir. Não te quero mal - porque eu não desejaria esse tipo de coisas - mas que você merece sofrer, merece. Para entender que isso não se faz. Ninguém pode extirpar a esperança de uma vida.

No fim das contas, esse é o 'um beijo, tchau' da gente. Aqui, você já não acha abrigo, já não se faz mais lar, você se fez esquecido. Não sinta-se importante por eu te escrever. Escrever é o que eu faço com tudo. Sinta apenas que eu respeito o que eu vivi, e você fez parte disso. Daqui em diante, sigo sem você, e apostando que será melhor.

 

Assinatura do remetente

 

 


música Gilberto Gil - Drão.

publicado por Juliana Correia às 15:22 | link do post | comentar | favorito

5 comentários:
De daiani ferrari a 27 de Julho de 2007 às 15:42
ADOREI... muito boa essa carta... parecida com o que escrevi quando terminei meu relacionamento... só, ao contrário do que comentas, eu não me arrependo de nada... nada do que fiz foi em vão...

mesmo assim, adorei! gosto de ler o que escreves, pois me identifico com muitas coisas... bjos!


De Mila a 27 de Julho de 2007 às 22:24
Não sei porque mas me identifiquei demais com esse seu texto. Escrever é uma arte que você nunca deve abandonar. Aprendi a escrever com você ;)

Beijos


De Vinicius a 28 de Julho de 2007 às 01:33
as vezes eu me pergunto de onde voce tira tanta inspiração. Mas eu aprendi que nao devo me fazer essa pergunta, porque na verdade nao ha resposta. Acontece é que voce tem um grande dom para infinitos tipos de texto, fazendo isso com primazia. A cada nova postagem isso fica provado, e eu só tenho a aprender com o que voce escreve. Espero que voce lance mesmo o livro.


De Lali a 28 de Julho de 2007 às 04:38
Muito bom o texto... e o que me deixou mais feliz é tê-lo lido, tê-lo adorado e saber que, hoje, não me sinto como o remetente dessa carta!

=]

Beijos, linda! Sou sua fã!
:*


De Mitchell a 28 de Julho de 2007 às 19:25
A mais tocante de todas as epístolas.
Simplesmente, o melhor texto seu.

Parabéns!
Sorte!
Saravá!


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