Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Eu estou suando e tremendo. Podia ser febre, mas não é. Todo mundo me acha comunicativa, todo mundo me sabe verborrágica, todo mundo acredita que eu sei falar as coisas do jeito certo. Mas com você não. Com você tudo que é abstrato e simbólico cai no real - eu passo mal. As coisas que eu não consigo dizer, fazem bolo no meu estômago e me deixam enjoada, buscando uma maneira de saírem de mim a qualquer custo. As coisas que eu penso e doem, me dão dor de cabeça. A ansiedade de te ver, me faz tremer.

A verdade é que eu me perco um pouco de mim quando chego bem perto de você. Deve ser a mistura do seu cheiro de shampoo com perfume. Deve ser o toque da sua mão na minha. Devem ser as boas conversas que temos. Eu podia tomar café de meias sentada no sofá da sala com as pernas levemente arqueadas na tua companhia. A gente podia morar numa livraria digna de Arnaldo Antunes no documentário Palavra Encantada. A gente podia ver todos os filmes nerds e eu podia dormir em todos eles e acordar azucrinada e a gente daria risada. A gente podia tentar cozinhar um jantar romântico num dia de semana qualquer que não fosse data especial de nada. E podia fazer um piquenique na praça. E você podia me ensinar a andar de bicicleta. E a gente podia viajar e passar um fim de semana super antropologico em alguma praia ainda não tão descoberta. Você podia aprender a costurar enquanto eu acharia a receita mágica do café perfeito. A gente podia afastar os móveis, jogar stop. jogar twister, jogar detetive. A gente podia fazer sopa de saquinho, colocar na caneca e ficar de pijama (e eu de coque) vendo o fantástico. A gente podia usar as nossas roupas de velho nerd pra ir na locadora ou na padaria, ou pra ir pro shopping resmungar que está muito cheio e que tudo é muito caro. A gente podia ir com caixas de chocolate pro cinema do museu. Podíamos dublar com falas ridiculas e descordenadas algum filme que tivesse passando na televisão. Eu podia fazer mil roteiros imaignativos tipicos de mim e você podia ficar só rindo depois de um dia cansativo na faculdade. A gente podia tanta coisa...A gente pode tanta coisa. A gente pode ser feliz, porque a gente acredita na felicidade dessas besteiras. Eu acredito muito.

Um texto sem fim, pra que nossa história também assim ainda seja. Um texto que fale do recheio que entermeia o começo da história com o 'felizes para sempre'.

 



publicado por Juliana Correia às 00:26 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Mila a 9 de Maio de 2009 às 02:16
Que texto lindo! Você está ainda melhor...e eu não passo aqui há anos.

Beijos Ju!


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