Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Eu nem sabia que eu podia ter a sua mão na minha mão sem ter você. Eu nem sabia que eu podia ter o seu cafuné naquele calor sem que isso precisasse significar alguma coisa. Eu nem sabia que algum verso seu podia ser pra mim - e algum verso dos bem bonitos, diga-se de passagem - sem que nenhum sentimento seu fosse meu em nenhuma medida em nenhum momento. Eu nem sabia que eu podia ser o seu foco enquanto você se ocupava da sua arte entre outras pessoas. Eu nem sabia que você podia olhar nos meus olhos e entender tanto e logo depois não entender mais nada e isso não apresentar nenhuma consequência. Eu nem sabia que você podia dar uma roubadinha no cruzamento e eu podia dar risada disso e te achar um louco mas achar muito bom sendo eu tão preocupada em ser tão razóavel. Eu nem sabia que alguém podia me abraçar e me deixar tão livre e que alguém podia me deixar tão paralisada sem saber o que fazer com os braços, as pernas, as boxexas e a cara mesmo que eu já seja uma moça de vinte anos e pense que tudo isso deveria ser no mínimo natural. Eu nem sabia que você podia me fazer sentir tantas coisas antagônicas e eu ia seguir andando em frente ainda assim.  Eu nem sabia que você podia me ensinar muitas coisas que eu não sei e não saber das muitas coisas que eu sei. Eu nem sabia que eu ia ter ojeriza de você ser tão cachorro. Eu nem sabia que tudo que eu faço com você - de beber um suco a conversar fiado - podia me fazer sentir tanta culpa. Eu nem sabia que quando você me beija a testa eu torço pra acabar e durar e acabar e durar e pra você beijar mais e não beijar nunca mais, também. Eu nem sabia que eu podia brincar tanto de seduzir com as palavras com alguém. Eu nem sabia que você podia me ver em todas as palavras que são tão minhas, ora.

 

O que eu já sabia que a gente não tem absolutamente nada. E eu nem sabia que a gente podia ter tanta coisa sem ter nada, nadica, absolutamente nada. Não sei o teu signo, o que você fez neste sábado, não sei o nome dos teus pais e nem a quilometragem do teu carro. Não sei qual é a sua comida favorita, se você prefere frio ou calor, se você acha que Lula é um bom presidente. Não sei se você acorda cedo, se você manda flores ou se você sabe dançar. Não sei o que você gosta de comer, quantos livros você leu ou qual a sua matéria favorita. Mas eu sei que quando o meu celular vibra a gente tem alguma coisa. Que quando você faz cara de irritado pra as minhas babaquices a gente tem alguma coisa. Que quando você vê o que ninguém mais vê em mim a gente tem alguma coisa. Que quando a gente sela pactos de entrelinhas que sempre são subjetivos e nunca chegam a algum lugar seguro a gente tem alguma coisa. Que quando você fica me olhando de longe a gente tem alguma coisa. Que quando você me diz aquelas coisas todas a gente tem alguma coisa. Que quando você pede a minha opinião sobre algo importante a gente tem alguma coisa. Que quando eu sinto o paradoxo em relação aos meus valores, meus desejos e minhas idéias relacionadas a você é porque a gente tem alguma coisa.

Que quando você me amarra num abraço é porque você quer que a gente tenha alguma coisa [a mais].

 

 

Acho que estamos mesmo tendo algo enquanto não temos nada.

Acho que estamos mesmo tendo algo enquanto eu não entendo nada.

 

 

 

 

 Definitivamente, estamos tendo muitas coisas enquanto não temos nada.

Como é que pode?


música Lenine - Excesso exceto

publicado por Juliana Correia às 16:45 | link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De Larissa Seixas a 11 de Novembro de 2008 às 12:55
Nada além de muitos sentimentos. Muito lindo.
Beijo, minha Jú.


De Iza a 12 de Novembro de 2008 às 19:12
Foi uma bonita conversa. Como sempre.


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