Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

A pior solidão do mundo é a de ler mil coisas, várias coisas, tantas coisas e não ter pra quem mostrar, ninguém pra ler o que já li e dizer: nossa, isso faz eu fazer tanto.. sentido! e as cabeças se balançam e nada mais precisa ser dito, porque o não-dito já inundou a sala com aquela coisa de compartilhar vivências, sentimentos, pensamentos, sensações.

A pior solidão do mundo é comer sozinha, porque quase ninguém pode ver você comer, porque comer é preencher o vazio existencial com qualquer coisa substancial que possa enrolar você mesma por umas horinhas - fala sério, você ia dividir um momento assim tão crucial com alguém que você não se sentisse a vontade?

A pior solidão do mundo é a de ficar em casa fazendo nada, com vontade de dar a louca e filar os compromissos  e não ter um louco que te dê a mão e faça isso, dando risada e mandando á merda os compromissos. Um dia na vida todo mundo pode. Um dia na vida faz bem. Um dia no ano, pelo menos, vai. Os outros 364 eu juro que tento dar conta do recado. Juro.

A pior solidão do mundo é a de virar uma pessoa que só tem um lado, porque o outro lado, o avesso, não tem quem abra os olhos pra ver... Sou só credibilidade - mas não sou mulher. Tenho um cerébro a todo vapor e um senso de humor irônico, mas o senso de humor meigo dorme na rede há milênios coitado, esperando alguém sacudir.

A pior solidão é cinema sozinha. Pé com frio sem nenhuma perna enroscada. Fazer drama pelo afeto de uns caras que nem interessam só pra sentir o sangue correndo na veia e ter certeza de que tá viva e sentindo algo (ainda que forçado ou inventado) ainda. A pior solidão é não andar de mãos dadas com ninguém. Ninguém pra ligar pedindo satisfação. Ninguém pra ter saudade. Ninguém pra fazer surpresa. Ninguém pra chorar de alegria na Saraiva. Ninguém pra copiar as falas de Saramago num documentário. Ninguém por quem valha a pena algum movimento em algum sentido. Ninguém que dê o tesão mínimo necessário.

A pior solidão são todas. Todos os dialogos de filme que a gente não tem pra quem reproduzir. Todas as canções que não fazem pensar em ninguém. Não ter pra quem entrar na cozinha e aprender a fazer uma batida de café e adorar ser mulherzinha em pleno século 21. Não ter quem te deseje de vestido.

 

Etc.

 

 



publicado por Juliana Correia às 22:22 | link do post | comentar | favorito

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