Domingo, 24 de Agosto de 2008

Somos sempre a mesma coisa e aí um dia a gente resolve parar de. Parar de escrever, de compor música (acordes, letras, enfim), de criar coreografias, de criar..

Porque criação começa a ser transferência..escrevemos sempre o mesmo texto, o mesmo acorde, o mesmo passo -> começamos a ser sempre os mesmos, a pensar as mesmas coisas, a precisar a qualquer custo dizer as mesmas coisas como se as pessoas não tivessem conseguido compreender ainda.

Se eu fizer um conto, uma crônica, um poema, uma história, um livro, um romance, uma novela, um texto-relato: todos serão sobre o meu desentender desse jeito de viver hoje, sobre esse ressentimento do amor que não damos ou que não valorizamos, desse jeito veloz e efêmero de levar a vida, dessa compulsão umbiguista e hedonista de que ser jovem e feliz é comer todo mundo e nem saber o nome e nem significar nada, dessa solidão de estar perto sem estar, sem compartilhar...

Todos os textos serão disso: escancaradamente, nas entrelinhas, numa nota de rodapé, encarnado em um personagem.. não há para aonde fugir.

Acho que é por isso que eu ando escrevendo tão pouco.. os textos vêm claros a minha cabeça e eu me dou conta de que se os escrever todos os entenderão, porque na verdade, todos já leram aquele texto, todos já leram os meus textos, todos já me leram...

 

 

Aonde é que as pessoas se reciclam?

Penso que ainda seja no contato com os outros, no absorver outras coisas, outros pensamentos, outros caminhos, outras vivências e outros significados...

Mas, nesse meu mundo de crítica, quem tem a acrescentar? Quem tem coragem de acrescentar?

(Alguns perseveram, é verdade.)

 

 


música Zeca Baleiro - Não adianta

publicado por Juliana Correia às 18:28 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De jv a 25 de Agosto de 2008 às 02:45
gostei um bocado desse texto, ele tem umas boas verdades aí...


De Mila a 25 de Agosto de 2008 às 16:07
Reciclar é preciso, sempre. =D


De Lucas Moura a 27 de Agosto de 2008 às 13:23
Disse tudo, Ju. A reciclagem é necessária, mas reciclar-se em qualquer "ferro velho" não é muito animador. Difícil achar peças que já não tenhamos visto e que realmente valham a pena compôr-nos.
Muito bom seu texto! Tava com saudade desses seus desabafos, que, apesar de uma essência parecida, sempre têm um tempero diferente.


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