Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Não faça cócegas no meu coração

se você não pode lidar com meu mar em calmaria ou agitado por um tufão.

(pois sim, sou tudo isso - e você acabará por interferir no processo de transição)

 

Não chegue cativando com delicadeza

se não pretende sustentar (enquanto for válida ) a relação com sutileza.

(seja na simples existência de nós, nas palavras que são todas "eu te amo" ocultas ou no jeito de se sentar a mesa)

 

Não me cause rupturas e revisões, não faça eu validar

o que não é válido, o que não dura, o que é condicional demais pra perseverar.

(manutenção não é fácil, doação é escolha constante do de novo se doar)

 

Não me tire do comodismo do que conheço, do que administro, do que acostumei a lidar,

se não for pra oferecer: sonhos que me estendam as mãos ou risadas sobre alguma besteira ou uma ligação pra discutir algo sem relevância particular.

("você não sabe o que almocei hj, etc")

 

Não me submeta, não me comprometa, não me machuque

não me seduza de graça, não faça eu me encontrar com minha vã vulnerabilidade

(eu não aguento a minha fragilidade, não sustento, me queira feliz de verdade.)

 

 

seja homem, abrigo, amigo, amante, distante, presente, humano, singular

não prometa o que não cumprirá, não acorrente sua liberdade, tenha asas pra voar

pelo mundo, pela descoberta, pelo dia-a-dia - são as mesmas asas que baterás pra voltar.

(hoje sei que o amor vive ao  redescoberto todos os dias se desdobrar)

 

Me deixe saber que posso contar com você, além da amabilidade.

Jure apenas: parceria, apoio e cumplicidade.

Do resto damos conta, damos jeito, discutimos e criamos possibilidade.

(o resto é tudo possível, passível, imprevisível, discutível, aberto...)

 

Exijo utopicamente que para me aguentar...

....só venha se for pra me amar. (do jeito que souber, que der, que possível se fizer

- mas do jeito que faça essa vida valer a pena, o dia parecer menos cinza

a psicologia não precisar de sentido, tudo brilhar mais, meu sarcasmo não soar ranzinza.)

 


música Ivan Lins - O tempo me guardou você

publicado por Juliana Correia às 23:37 | link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Luis a 8 de Maio de 2008 às 15:18
amar é ter o coração cheio de pregos que
nos fazem lembrar que amar é ter o coração

cheio de pregos.

desamar é retirar os pregos do coração e deixar sangrar
sangrar sangrar -
até esquecer que amar é ter o coração

cheio de pregos

amar novamente é molestar a ferida não cicatrizada

sem permissão

porque o coração grita:

não quero mais.

n ã o q u e r o m a i s p o r q u e D Ó I

***

acho que eu já te mandei isso. fala sobre essa coisa de cutucar um coração já cicatrizado.

mas nem gosto mais, prefiro abrir o coração pro "que der" e vier, seja lá como for.


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