Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

* Seguindo o raciocínio de escrever (para variar) para pessoas que valem a pena.

 

Por você eu desisti de classificar entre certo e errado as coisas

porque senão, eu e você estaríamos dando errado e eu te quero certo, perto.

Não adianta – você nunca vai desistir dessa idéia de que pra ser boa

eu tenho que ser o que você quer, o que você julga bom, senão sou a toa.

Somos oito ou oitenta, ou abraços e beijos incessantes

ou distância e discussões, desentendimentos e silêncios massacrantes.

Você me levava pro hospital, me deitava na sua barriga

era legal com as minhas amigas, passava mercúrio na minha ferida.

Tenho o seu humor, sua personalidade difícil, sua extroversão

não tenho sua auto-suficiência, sua perspicácia, sua racionalização.

Você me acha inteligente e sempre me comprava os livros que eu pedia

mas você também parece me achar feia e desinteressante e reforça isso dia a dia.

Com o tempo fomos nos aprendendo, hoje nos damos melhor

mesmo que não concordemos, confio que me acolherás (até discordando) e não me deixará só.

Cada um tem um jeito de amar e de viver o amor que sente

tenha certeza que meu amor existe mas se reluta em demonstrar o que pretende

é munido de admiração, mágoa, eternidade, esforço, disformidade

é desrazão, doação, contramão, desistência e banalidade

parece uma teia sem seqüência, ás vezes gritante, ás vezes escondido

sempre guardado ao avesso dentro do peito, querendo por você ser desapercebido

eu finjo que não te amo, para me enganar

eu finjo que não te amo, como se isso viesse a me fortificar

mas no fundo eu te amo tanto que fingindo me ponho a chorar

por todo esse amor que eu sinto e que queria derramar

por todo esse amor que eu queria também que você se abrisse pra vivenciar

pelo amor do amor que se liga sem se explicar, sem motivo

eu reclamo, brigo, levanto a voz e recuo, não digo.

Mas se precisas de certeza – a carregue :

Eu te amo mais profundo do que (a princípio) qualquer atitude minha negue.

E de viver esse amor de “oba” ; “ui” ; para” “ai”

Te consagro dentro de mim, na vida do bom e ruim, eterno e amado – MEU PAI.



publicado por Juliana Correia às 03:42 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De Mila a 14 de Abril de 2008 às 19:37
MAGNÍFICO. DEIXO AQUI O MEU AMOR PELO MEU PAI LINDO. ;*


De Sanção Maia a 16 de Abril de 2008 às 02:23
Salve, Salve! Abram alas para essa que é um explêndida escritora. Textos simples, objetivoe muito emocionante. Fiz uma volta a vida e vi as imagens de brigas e risadas, com aquele que me ensinaram a chamar de pai.
Agradeço por ter escrito isso, realmente me fez refletir sobre, Papai.

Como sempre as letras que encantam.

Beijos!


De Jota a 17 de Abril de 2008 às 19:32
Surpreendentemente lindo!
Obrigado por me explicar tão bem as coisas que eu não consigo entender.

Parabéns, parabéns, parabéns!!!


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