Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Não sei porque não dou ponto final

escrevo, escrevo, escrevo além do normal

estendo o assunto, fico remoendo

vou mas volto, prossigo arraigada (me) desentendendo

bato na mesma tecla e sou cabeça dura

dissolvo a dor em água, solúvel ela me perpetua

não importa se essa dor nem sinto - ou se não quero mais sentir

escrever é admitir que as vezes minto - ou forço no reviver/insistir

para ter inspiração quando ela não cai do céu

pra que nunca me faltem companheiras letras a cair no papel

e escrevo sem fim, sobre o que quero finalizar

pra dar o passo a seguir, em nova marcha hei de caminhar

o espaço há em mim - as palavras aqui habitam

silenciosas, gritantes, precisas, desnecessárias - me ditam

clamam, elas querem ser bem resolvidas

felicidade, alegria, compensação cansaram de ser dos textos recolhidas.

o que posso fazer? hei de ouvir.

não posso ignora-las, se sem elas já não sei existir.

 

 

 

reticências...

travessão -

vírgulas,

interrogação?

aspas "

exclamação!

tantas e tantas possibilidades

de pontuação

e eu sempre encerrando a questão

com meu (repetitivo) ponto de continuação.

 

 

 


música Maria Rita - Corpitcho

publicado por Juliana Correia às 23:29 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De Arthur Pinto a 2 de Abril de 2008 às 04:45
No ponto de continuação o final da compreensão... compreensão que é mentira e não existirá dia 2, e que no 1º de maio fique a verdade de não serem as letras a existência da Poeta, mas a verdade primeira das letras... a existente Juliana.
Adorei "as companheiras letras"... todas no ponto! Bjs.


De Mila a 2 de Abril de 2008 às 13:46
o ponto nunca é o fim, é apenas o começo de uma nova idéia; de um novo conceito
e meu comentário vai ficar sem ponto final...


De Vinicius a 2 de Abril de 2008 às 23:11
Me lembrou muito o que o Arnaldo Antunes escreve, a forma que ele tem de escrever, principalmente esse final

beijos


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