Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Não se perde um jogo no primeiro minuto

E tampouco se perde um jogo no fim do segundo tempo.

Se perde a partida é no seu decorrer

Se perde quando perde-se a vontade de ganhar;

quando fica pelo caminho a motivação de jogar.

Perde-se um jogo por cada bola que passa por debaixo da perna

por cada drible que não se dá, por cada bola adversária que na rede vai parar

Vão somando-se pequenas perdas para a perda em si se formar.

 

 

Também não se perde uma mulher de vez

Perde-a aos poucos, num traçado complicado

A mulher espera tudo, dá tudo, corpo, motivação, amor, desejo - espírito

E dá até o fim, até espremer de dentro de si tudo de delicado que fica guardado.

Enquanto você a valoriza, você a tem em suas mãos, em sua cama, aonde você quiser

O problema é que a doação feminina enche de auto confiança o coração masculino

E o excesso de confiança e tranquilidade move você para longe da sua mulher.

Se perde uma mulher quando não se diz com tudo - olhos, boca, pulsação, suor

sem pudor, em pé, de manhã, de tarde, sempre - o quanto ela vale para você.

Perde-se a mulher quando não se escanaram as certezas, os sorrisos, o arder

Perde-se a mulher por falta de palavra, de jeito, de tato, por falta de leveza

falta de exasperação, por falta de medo que ela vá embora e até pela lerdeza.

 

 

Num jogo, quando se perde o mando de campo

quando se fecham os portões, quando a torcida não comparece

o mistério se desfaz, o desvelamento do esporte é pelos outros

sem eles é só decepção, não há trave, nem bola que valha por si.

 

Quando está-se perdendo uma mulher - e se demora pra perceber

cada segundo que vai faz uma diferença enorme

mas você só vai se dar conta (e talvez sentir falta e tentar corrigir, vai saber?)

quando descobrir que não vai ser mais pensando em você que ela dorme.



publicado por Juliana Correia às 01:10 | link do post | comentar | favorito

3 comentários:
De Vinicius a 30 de Janeiro de 2008 às 02:05
Me pergunto muito como surge esses versos na sua cabeça. Mas, basta te conhecer pra saber que não existe nenhum esforço pra isso. Tudo que voce fala é poesia,e é incrivel a maneira como voce consegue trabalhar isso, no seu interior, conseguindo fazer poemas que conseguem equilibrar o lado real com o emocional.

Foi isso que eu enxerguei. O equilibrio da realidade, quando voce fala dos elementos que cercam uma partida de futebol e do quão isso é importante para o espetáculo. Porque sem eles, pode existir o futebol mas, com certeza, não será a mesma coisa.

Na outra ponta, voce faz uma comparação desse fato com o desejo da mulher de ser amada, de necessitar de carinho sem dizer que está precisando, de mostrar que você ama, de mostrar que você se preocupa, de mostrar que você se importa e, principalmente, de mostrar a reciprocidade que cerca o amor.

Ainda que eu pudesse falar um pouco mais desse seu escrito, seria pra destacar a sua sensibilidade que tem para escrever e a intensidade imposta em 4 versos de pura imaginação e criatividade. Parabens!


De Mila a 30 de Janeiro de 2008 às 03:08
O que mais me deixa triste é que os homens tem o dom de perder uma mulher que tanto os quer, ou quis.


De Hailton Andrade a 30 de Janeiro de 2008 às 19:09
Primeiramente, agradeço a visita. E só pra dizer, o texto preguiçoso foi feito por Michell e eu. Que bom que gostou da carta. Ah, fico feliz que o futebol remeta-te a mim, pois é algo que amo muito.

Seu texto... bem... excelente. A temática é cotidiana, mas o tratamento é primoroso. Diz algo sobre muitos relacionamentos por ai. Algumas pessoas me condenam quando comparo fatos da vida com o futebol. Acham maluquice, mas não paro com as comparações. Você acertou em cheio. E digo mais. Não é só no futebol ou na vida amorosa que se perde no conjunto, mas tudo que se perde.

Beijos de um adorador dos seus textos!

PS: Continue falando do futebol, leva muito jeito!


Comentar post

mais sobre mim
Setembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


posts recentes

inferno astral

Descortinado

A arte do impossível.

Pouso.

Nanquim.

Brigitte Bardot

Sapatilhas.

Não é assim que a banda t...

Vulnerabilidade

História musicada auto-ex...

arquivos

Setembro 2010

Janeiro 2010

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

links
blogs SAPO
subscrever feeds