Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Ela abriu a porta e foi logo descuidadamente despejando as coisas no chão. Se jogou confortavelmente no sofá da sala e levou as mãos a cabeça. A cabeça latejava. Como ela podia ter deixado as coisas chegarem aquele ponto? Como podia estar se portando como uma adolescente tola, cheia de esperanças e planos? Ah, se arrependimento matasse...

Sentou-se o mais confortável que pôde,esticou as pernas,respirando fundo, na tentativa de colocar alguma ordem nos pensamentos."Não se envolva. Homens machucam. Preciso te lembrar de como foi da última vez? Para ele, certamente que você é apenas mais uma da longa e óbvia lista, e nem sequer deve ser a favorita. Não importa que o beijo dele te tire do chão, você é esperta e absolutamente auto suficiente e não precisa dele para te fazer feliz. Cada minuto a mais que você der a ele vai ser uma chance a mais para ele te machucar. Está convencida?" Tudo isso ecoava em sequência ,como um mantra dentro da sua cabeça. Ela foi se sentindo forte. Abriu os olhos , alongou-se e lavantou-se. Foi até a cozinha pegar um copo dágua. Um sorriso de vitória cintilando no rosto. Abriu a geladeira,resolveu que ia fazer um jantar especial para si própria, para lembrar do quanto era bom estar consigo mesma. No meio da separação de ingredientes, o telefone tocou. Ela estremeceu ansiosa, ao pegar o aparelho e ouvir o "Alô minha linda" do outro lado, ela compreendeu que precisaria de mais do que mantras para escapar da cilada do seu coração. Ficou claro também que a paixão fazia um lindo enlace com a desrazão, e que ambas se embrulhavam aos tropeços fazendo barulho e confusão na sua tão pacata vida. E assim, sem ao menos se dar conta, já estava dizendo ao telefone: "Jantar hoje a noite? parece perfeito..."

 

 

 



publicado por Juliana Correia às 19:49 | link do post | favorito

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